Há um quê de Pedro Bandeira em “The Rain”, primeira produção original dinamarquesa da Netflix, que tem sua primeira temporada já disponível na plataforma.

A série acompanha um grupo de jovens que tenta sobreviver seis anos depois de uma chuva contendo um danoso vírus ter matado praticamente toda a população.

O que aproxima a trama do popular autor brasileiro de livros infantojuvenis é a fórmula que coloca um grupo recém-saído da adolescência para resolver um mistério – no caso, o que está por trás do tal apocalipse.

Ao que tudo indica, a chave para a resolução disso está nos irmãos Simone (Alba August) e Rasmus (Lucas Lynggaard Tønnesen).

Antes da famigerada chuva, eles são isolados pelo pai em um bunker da empresa Apollon, onde ele trabalha.

Sem nada revelar aos filhos, o pai os abandona com o objetivo de consertar o problema e confere a Simone a responsabilidade de cuidar de Rasmus, então um garoto de apenas 10 anos. Segundo ele, o menino é “a resposta para tudo”.

Os dois permanecem no bunker por seis anos, até o estoque de alimento acabar e eles precisarem sair.

Eles esbarram então com um grupo de outros jovens liderados pelo ex-soldado Martin (Mikkel Boe Følsgaard), ao qual se juntam.

O rapaz tem como único objetivo continuar vivo, escapando de um violento grupo batizado de Forasteiros, cujas intenções não são nada claras, enquanto Simone busca o pai a todo custo para tentar descobrir o que aconteceu.

Essa diferença de abordagem provoca atritos internos em relação à liderança do time, adicionando um componente de tensão à trama.

“The Rain” não escapa de alguns clichês pós-apocalípticos, mas eles são perdoados quando o público se pega curioso à espera de pistas sobre o que aconteceu.

A qualidade da série está em encarar seus protagonistas como jovens comuns. Nenhum tem super-habilidade ou complexo de herói, e eles estão tão perdidos quanto nós, tendo que lidar com dilemas morais pelo caminho – e eis aí mais uma semelhança com a obra de Bandeira.

Conhecido por ser berço de intricadas tramas policiais na literatura, a Dinamarca se sai bem nesta experiência com outros gêneros.

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