Produção da ARVORE Immersive Experiences recebeu o prêmio de Melhor Experiência Interativa no Festival de Veneza e será exibida pela primeira vez para o público brasileiro. 

“A Linha”, experiência narrativa e interativa em realidade virtual da ARVORE Experiências Imersivas dirigida por Ricardo Laganaro será exibida pela primeira vez para o público brasileiro dentro da programação da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A experiência poderá ser feita gratuitamente pelo público, entre 17 e 30 de outubro, a partir das 15h30, no Cinesesc.
“A Linha” venceu na categoria Melhor Experiência Interativa no 76º Festival Internacional de Cinema de Veneza e acaba de receber o prêmio de Melhor VR Immersive,, premiére asiática no Kaohsiung Filme Festival em Taiwan, um dos mais importantes da área. 
“A Linha” convida o público para uma imersão na São Paulo da década de 40, onde compartilha a história de Rosa e Pedro, dois bonecos de maquete que devem lidar com a rotina e o medo da mudança. Através da movimentação do corpo, a história conduz o usuário aos altos e baixos da história de amor dos dois personagens.  “A Linha” permite assim que os usuários participem efetivamente da história de Rosa e Pedro, em uma peça singular de 13 a 15 minutos.
O diretor e sócio da ARVORE Ricardo Laganaro combina uma narrativa clássica com a fisicalidade e envolvimento emocional que a realidade virtual proporciona. Traz uma história universal sobre amor e medo de mudança para uma audiência global, propondo também uma nova cultura de engajamento com a realidade virtual para o grande público.
“A Linha” convida o espectador a participar da história de amor entre dois personagens que vivem em São Paulo na década de 40. Não teria melhor lugar que a Mostra para fazer a estréia brasileira. A realidade virtual é uma outra forma de se fazer cinema, e é um orgulho gigantesco apresentar para o nosso público um projeto feito 100% por brasileiros, falado em português e que já teve grande reconhecimento internacional. O VR é mais um formato para que nossa arte seja reconhecida e valorizada em qualquer lugar do mundo.
“A missão da ARVORE é transportar pessoas para dentro de narrativas mágicas e impossíveis através dos novos meios imersivos. ‘A Linha’ é uma concretização disso. É a exploração de uma nova forma de contar histórias e a possibilidade de levar a criatividade brasileira para um meio onde a linguagem ainda não foi estabelecida”, complementa Ricardo Justus, CEO fundador da ARVORE. “ A LINHA” na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São PauloDe 17 e 30 de outubro, a partir das 15h30, no Cinesesc (R. Augusta, 2075 – Cerqueira César).

A experiênciaAo colocar os óculos de realidade virtual, imergimos em uma sala escura.  Todas as interações replicam movimentos reais. As mão são capazes de segurar objetos, os lábios, de soprar. 
No colo, temos um álbum empoeirado. Ao assoprar a poeira e virar suas páginas notamos: todas as fotografias foram retiradas, apenas descrições e espaços vazios preenchem as páginas. Uma voz nos alerta: “existem memórias que não cabem em uma foto”. Graças a uma chave que se materializa misteriosamente, podemos abrir uma porta que revela uma maquete de São Paulo nos anos 1940 – réplicas de prédios icônicos, automóveis em miniatura, um guarda de trânsito pontual, moradores pacatos. A rotina é a regra e nesta maquete tudo parece se repetir há milhares e milhares de ciclos. Pedro, o entregador de jornais, parece não se importar com a mesmice. Ao contrário, ele aprecia que o usuário manipule os controles da maquete e o ajude a cumprir sua rotina diária.
Em um momento, porém,  seremos cúmplices de uma pequena transgressão: ajudar Pedro a retirar uma flor amarela de uma árvore em uma pracinha. Logo entendemos a quem a flor é destinada: Rosa, a florista. Rosa tem uma rotina espinhosa, como as flores que cultiva. Embora cultive flores vermelhas, amarelo é sua cor favorita e a flor entregue por Pedro parece ser a única quebra em seu dia à dia árduo. Rosa nem vê mais sentido em cultivar flores para a histórias de amor que não são dela, mas essa parece ser sua sina, o caminho para qual seu trilho sempre a leva.  Ambos estão presos a engrenagens que os impedem de seguir seus próprios caminhos. Mas Pedro pode pedalar sua bicicleta graças a suas pernas articuladas e Rosa pode cultivar flores graças a seus braços articulados. Pedro promete para si mesmo que falará com Rosa, mas sabendo que sempre terá o ciclo seguinte, adia a declaração. 
No ciclo seguinte, porém, não há mais flores amarelas. Pedro se desespera. Não sabe o que fazer. Tem medo que Rosa o esqueça, mas ainda não encontra coragem suficiente para se declarar. Até que Pedro nota: no topo da mais alta montanha há uma réstia de esperança, uma última flor amarela. Para alcançá-la, terá que fazer um desvio em seu caminho rotineiro. Para isso, conta com nossa ajuda, para manipular um mecanismo da maquete.  
Ao pegar a flor, porém, Pedro se dá conta que sua bicicleta não foi feita para andar fora do trilho e acaba caindo até a parte de baixo da maquete. Nos vemos obrigados a abaixar e enfrentar o desconhecido com Pedro.  Pouco a pouco, ele aprende a andar com as próprias pernas. Pela primeira vez, as nossas interações não passam pela maquete, nos relacionamos diretamente com Pedro, formando caminhos para que ele possa voltar para casa. O submundo da maquete é um lugar perigoso para um boneco em miniatura. Pedro se vê ameaçado por objetos pontiagudos e enferrujados ao ponto de ter que se livrar da flor para salvar sua própria vida e subir de volta para casa. 
De volta à maquete, Pedro não tem uma bicicleta, mas sabe andar com as próprias pernas. Não leva mais uma flor amarela, mas está resoluto – falará com Rosa. Mas Rosa não está. Ele vê o mecanismo que antes guiava Rosa se movimentar sem a presença da amada florista.Pedro se pergunta o que fazer até que vê uma flor amarela. E depois outra. E depois outra.Ao seguir o caminho, se depara com um lindo campo de flores amarelas, mas não consegue ver além.  Ajudamos Pedro mais uma vez, soprando as flores amarelas. Em meio a uma chuva de pétalas, Pedro reconhece Rosa. Ela conta que guardou todas as flores amarelas. Uma a uma. Quando Pedro não trouxe uma flor, entendeu que era a sua vez de procurá-lo.
Rosa tem os braços articulados. Pedro, as pernas. Eles sobem em uma bicicleta e entendem – juntos, podem ir mais longe. Não precisam mais de um trilho e podem seguir a própria rota, inventar a própria rotina.
Pedro e Rosa precisam uma última vez de nossa ajuda. Com a ajuda de um disparador, tiramos uma foto deles para o álbum de recordações. Neste momento, somos transportados para o meio da maquete, onde podemos apreciar mais de perto o cenário da história de amor que acabamos de viver. 

Deixe uma resposta